sexta-feira, 11 de março de 2016

Alegria compartilhada.

Eu me lembro que, desde muito jovem, sempre achei que terminaria a minha vida sozinho. Talvez por ter dificuldade de me relacionar com as pessoas ou por puro cetismo quanto ao companherismo. Via isso como algo normal, acho que até já explanei sobre isso por aqui. Porém todas as vezes que falei isso estava cercado de pessoas, poucas mas eram algumas.

Há mais ou menos 6 meses vim morar sozinho. Era um projeto que eu passaria pouco tempo sozinho e a médio prazo eu dividiria a vida com alguém mas eu tratei de cagar tudo. No começo achei que estaria livre, que minha vida seria como em "Curtindo a vida adoidado" e no começo foi. Com poucas semana vi que isso nunca vai ser pra mim. De quebra vi coisas que pensei que não veria ou que pensei que se visse não me afetariam. Um grande engano jovem gafanhoto.

Hoje eu me sinto verdadeiramente sozinho e não é aquela sensação agradável que pensei que seria. É algo enlouquecedor ter uma casa vazia todo dia, ficar sem dizer uma palavra durante as folgas pq simplesmente você não tem ninguem pra conversar ao vivo. Tenho alguns amigos ainda mas faltam pessoas que eu possa realmente me abrir, que não sejam só amigos de copo, de zueira. E cara, você tentar resolver seus problemas sozinho é foda. Não ter uma opinião de fora fode tudo.

No atual momento só sinto que sou amado e faço falta pros meus pais. Não que isso não seja importante mas são meus pais né, eles me amariam se eu fosse um assassino. E mesmo assim eles estão longe, to por minha conta. Sinto falta daquela preocupação, dos esporros, de alguem brigando comigo, cuidando de mim, sinto falta de abraçar e beijar pessoas (cara, faz tempo que não ganho um abraço rs)

Chegamos ao ponto crucial de tudo isso: eu que causei todo esse alvoroço na minha vida, eu sou o culpado de tudo. A minha auto-sabotagem de anos culminou em tal momento. Pela primeira vez (eu acho) tenho plena certeza que eu fui o assassino da minha vida. Quando você tá na merda e tem bastante tempo sozinho você pensa demais. E cara, só fiz merda a minha vida inteira no quesito relacionamentos com humanos. É cada parada bizarra que, namoral mesmo, eu mereço todo o desprezo e solidão que agora eu colho.

Não tenho a minima pena de mim, por mais que esteja sendo um dos momentos mais difíceis que tenha passado, eu busquei isso mesmo que inconcientemente. O grande "x" da questão é que, pela primeira vez, sou eu e eu, sozinho, sem ninguem pra me dar um abraço, um carinho, pra dormir nessa cama enorme. Eu e meus demonios, sem padre pra me ajudar a exociza-los.

Uma dica a quem ler isso: cuide das pessoas a sua volta, aquelas que te amam, que te escutam. Não as afugentem. Quando você as magoa, elas voltam uma, duas, três vezes só que chega uma hora que não dá mais pra ela e ela tem que caminhar sozinha. E você amiguinho, vai ficar sozinho, tento que cozinhar sozinho, limpar as coisas sozinho, ficar triste sozinho, não vai ter ninguem pra abracar, pra ter um carinho, ninguem pra sonhar seu sonhos. Alegria sozinho é tristeza, alegria compartilhada é alegria redobrada.




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